
É-me difícil escrever. É difícil soltar o enredo de palavras que povoa a minha mente. Nenhum tema me interessa, ou mesmo que suscite alguma da minha curiosidade, simplesmente é-me difícil escrever. Não sei se será o ócio do Verão ou o passar dos anos que me vai tirando a inocência e a imaginação. Quando somos pequenos tudo é mais fácil. Vemos tesouros debaixo de nossas camas, castelos ao cimo de cada colina, aventura em cada saída de casa, um universo paralelo de brincadeiras e fantasias dentro da nossa cabeça. Mesmo sabendo que tal mundo mágico não existe mantemos sempre a esperança de que um dia mais tarde possa ser verdadeiro. Os anos passam e nada se concretiza. Não somos os heróis que outrora ansiávamos ser nem possuímos nenhum super – poder. Somos apenas mais um por entre tantos outros. Dizem-nos que somos únicos, mas não nos dizem o que realmente queríamos saber: que o mundo gira à nossa volta. Seria tudo tão fácil se pudéssemos controlar tudo com as nossas mãos. Contudo, seria tudo tão injusto se assim o fosse. A verdade é que não somos o centro do mundo, mas somos o centro de nós próprios e isso já deveria significar algo para nós, ou até mesmo satisfazer-nos. No entanto, o ser humano não se conforma e deseja sempre mais, mas ainda bem que é assim, pois no dia em que a conformidade se abater sobre nós não passamos de um corpo sem alma, sem propósito, sem objectivos e sonhos. Devemos querer sempre mais e não falo só a nível material, mas também a nível espiritual. Eu não me conformo com nada, nem mesmo em saber que o mundo não gira à minha volta, pois tenho a vaga impressão que tudo o que existe e me passa em frente dos olhos, não poderia existir sem que eu o observasse ou ouvisse. Talvez existam vários mundos e cada pessoa possua o seu próprio planeta virtual. Logo, por algo não existir para mim não significa que não exista para outros, pois esse algo pode existir perante a visão de outros. Tantas filosofias e teorias para nos explicarem que não somos o centro da Terra. Sinceramente, a mim o que me interessa é que eu sou o centro da minha própria vida e a Terra vou trocando uns olás com ela. Eu sou a heroína da minha própria vida, porque me vou salvando a mim própria com o poder da escrita. Quanto à falta de inspiração pelos vistos é um problema resolvido. Apesar de os anos passarem a imaginação e a inocência acabam sempre por permanecer. De outro modo morreria, pois o que seria da minha vida, do meu mundo sem o meu super – poder?